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Um andarilho perdido no tempo

Trinta e tantos e eternos anos se passaram. Um grande abismo se colocou entre um ser homem e outro, poeta - o mesmo, porém.

Atravessei uma espécie de túnel, quase que infindo, em completa escuridão. A luz se fez ausente, fugiu, dia após dia, desesperada, e a morte de um poeta foi o sentimento que mais me afligiu. Jejum de felicidade. Hoje a retomo, retorno à vida. Revivo, embriagado de juventude, a minha herança.

Espalhados, empoeirados e ofegantes, alguns dos meus versos tão inocentes, dos meus tempos de meninice, ressurgiram, cravados em opacas folhas de papel ofício, como quem renasce em um parto tardio. Outros, já amadurecidos, nasceram nos dias atuais.

Um tesão incontrolável, outrora latente, me consome inteiro, agora, e me devolve o imprescindível, uma das poucas razões da minha vida andarilha – a Poesia.